segunda-feira, dezembro 31, 2007

Físicos tentam desvendar o conceito dos "universos paralelos"

da France Presse, em Paris

Popularizada por obras de ficção científica como "Jornada nas Estrelas" ou então pelo recente filme "A Bússola de Ouro", primeira parte da trilogia escrita por Philip Pullman, o conceito dos universos paralelos desperta um grande interesse por parte dos mais sérios cientistas do planeta.

"A idéia de vários universos simultâneos é mais do que uma invenção fantástica. Parece natural em várias teorias e merece ser levada em conta", afirma o astrofísico Aurélien Barrau no número de dezembro da revista "Cern Courier", publicada pela Organização Européia para a Pesquisa Nuclear.

"Estes universos múltiplos não são apenas teoria, e sim as conseqüências de teorias elaboradas para responder a questões de física das partículas ou da gravitação. Muitos problemas centrados na física teórica encontram assim uma explicação natural", resume o cientista do Laboratório de Física Subatômica e Cosmologia.

"Nosso Universo seria apenas uma ilhota insignificante dentro de um imenso 'multiverso' infinitamente vasto e diversificado? Se for verdade, isso pode ser para o homem, que durante muito tempo acreditou que era o centro do mundo ou o centro da criação, a quarta ferida narcisista", prosseguiu, explicando que as três primeiras feridas teriam sido causadas por Copérnico, Darwin e Freud.

Imaginar que existem vários universos responderia a uma das grandes perguntas dos físicos: Por que motivo --fora acreditar em Deus-- nosso universo, se fosse o único existente, teria precisamente as leis e as constantes físicas que teriam permitido o surgimento de astros, de planetas e finalmente de vida?

Paradoxos

A idéia de universos paralelos foi introduzida em 1957 pelo físico americano Hugh Everett, para interpretar certas raridades --para o sentido comum-- da física quântica.

Dessa maneira, é possível encontrar partículas numa espécie de superposição de estados. O exemplo clássico e o do gato que pode estar vivo e pode estar morto ao mesmo tempo dentro da caixa que serve de exemplo e paradoxo da teoria pronunciada por um dos "pais" da física quântica, Erwin Schrödinger.

Apenas um dos estados se torna realidade no momento de uma observação. Dessa maneira, não se criam outras possibilidades em outros tantos universos? Hugh Everett e outros cientistas acreditam que sim.

Existiriam então vários universos paralelos que poderiam ter um passado comum, antes de divergir para outro possível e diferente.

No cinema

Um episódio de "Jornada nas Estrelas", "O universo do espelho", exemplifica bem o conceito, pois mostra, em um outro universo, outras versões do capitão Kirk, do sr. Spock e dos demais tripulantes da nave Enterprise.

"Este mundo, como todos os demais universos, nasceu do resultado das probabilidades", explica o Lorde Asriel a sua filha Lyra, a jovem heroína de "A Bússola de Ouro", evocando as partículas elementares.

"Num dado momento, várias coisas são possíveis e, no instante seguinte, apenas uma acontece e o resto deixa de existir", conclui.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Feriado de Natal é o mais violento do ano nas estradas federais

O feriado de Natal, no período entre zero hora de sexta-feira (21) e meia-noite de ontem (25), deixou 196 mortos nas estradas federais, e tornou-se o mais violento do ano, segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Foram registrados 2.561 acidentes e 1.870 feridos. Os números superam os registrados no Carnaval, tradicionalmente o feriado mais violento por causa dos excessos, inclusive de bebidas alcoólicas. Naquela operação, foram computados 2.417 acidentes, 145 mortes e 1.587 feridos.

Os Estados com maior número de acidentes foram Minas Gerais (460), Santa Catarina (297), São Paulo (235), Rio Grande do Sul (205) e Paraná (151). Já os estados com maior volume de mortos foram Minas Gerais (26), Bahia (20), Santa Catarina (19), Mato Grosso e Paraná (14) e Goiás (13). Os Estados que produziram mais feridos foram Minas Gerais (309), Santa Catarina (208), Paraná (150), Rio Grande do Sul (149) e São Paulo (134).


A polícia atribui os números altos ao bom momento da economia, que elevou o volume da frota brasileira e aumentou a circulação de veículos nas estradas.

Somadas a estes fatores, também contribuíram as chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, e a desconfiança que persiste em relação aos aeroportos, levando mais pessoas a optarem pelo transporte terrestre em suas viagens.

Imprudência
Entretanto, apesar das causas externas, os registros da PRF apontam a imprudência ao volante como principal motivo para a ocorrência de acidentes. De acordo com levantamentos internos, 80,75% dos acidentes acontecem em trechos com pista boa; 71,4% nas retas; 53,6% em plena luz do dia e com tempo bom (63%). A falta de atenção é o item mais alegado pelos condutores que se envolvem em acidentes (33,3%).

Cálculos baseados em estudos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelam que, nos cinco dias do feriado de Natal, o Brasil sofreu um prejuízo de R$ 111,1 milhões apenas com mortos e feridos nos 61 mil quilômetros de rodovias federais.

Próxima operação
As estatísticas do feriado de Natal levaram a PRF a promover ajustes na Operação Ano Novo, que começa à zero hora da próxima sexta-feira (28).

De acordo com o Coordenador de Controle Operacional da PRF, inspetor Alvarez Simões, a alternativa viável para o momento é investir na tecnologia para combater os excessos. "Se não podemos aumentar a quantidade de policiais, vamos apostar nos radares e etilômetros. Quando os apelos por cautela no trânsito parecem não funcionar, esperamos que ao menos o valor das multas seja um fator inibidor", afirma Alvarez.

Na próxima operação, a fiscalização deverá ser reforçada nas rodovias que levam aos principais balneários do país. Ao contrário do Natal, quando os deslocamentos ocorrem em direção ao interior, no Ano Novo as viagens acontecem, em sua maioria, com destino ao litoral.

Acidentes
Três acidentes graves marcaram o feriado de Natal. O mais violento aconteceu no domingo (23), quando um ônibus que fazia transporte irregular de passageiros bateu de frente com uma carreta na BR 020, no município de São Desidério (BA), deixando 11 mortos e 23 feridos.

Também no domingo, quatro pessoas morreram quando o ônibus em que viajavam saiu da pista e capotou na BR 060, em Goiás. Na tarde de sábado, em Mato Grosso, seis pessoas perderam a vida numa colisão frontal entre um Fiat Uno e um ônibus na BR 174, em Nova Lacerda.

Fiscalização
Durante a Operação Natal, a PRF fiscalizou 94.804 veículos e autuou 18.536. O número mostra que um em cada cinco condutores abordados cometia alguma infração contra o Código de Trânsito Brasileiro.

As prisões por embriaguez e direção perigosa aumentaram em 107%, saltando de 71 em 2006 para 147 no mesmo período de 2007.

Na última sexta-feira (21), a Polícia Rodoviária Federal realizou nos principais corredores rodoviários do país a Operação Sangue Bom, para flagrar pessoas que insistem em ingerir bebidas alcoólicas antes de dirigir. Em seis horas de fiscalização, equipes de agentes dos Núcleos de Operações Especiais da PRF autuaram 120 motoristas em todo Brasil.

"Globalistas" buscam sons periféricos

CAMILO ROCHA
Colaboração para a Folha de S.Paulo

A maioria dos DJs costuma direcionar seus ouvidos para algumas poucas mecas musicais do Primeiro Mundo, como Nova York, Londres, Berlim e Paris. Nesta década, porém, emergiu uma nova categoria, a dos DJs "globalistas", que viajam muito mais longe em suas garimpagens musicais.

Nomes como Diplo, DJ Dolores, Maga Bo, DJ/rupture, Ghislain Poirier e Wayne&Wax constroem sets incrivelmente variados, que podem ter hip hop americano, tecno alemão ou electro francês, mas também soca de Trinidad, rap marroquino, funk carioca, kuduro de Angola, dancehall jamaicano, o grime das Cohabs londrinas ou a cumbia colombiana.

A exposição desses ritmos "periféricos" já influencia artistas em diferentes esferas como a banda Bloc Party e os DJs/ produtores Simian Mobile Disco e Samim (que teve um dos hits do ano com "Heater", no qual juntou cumbia com tecno). Depois tem o fenômeno da anglo-cingalesa MIA, a primeira popstar a sair dessa tendência e que lançou neste ano o elogiado álbum "Kala".

Seria tudo isso uma nova roupagem para o desgastado termo "world music"? Ao conversar com a Folha por telefone, o DJ e produtor canadense Ghislain Poirier, que acaba de lançar o álbum "No Ground Under" pelo selo Ninja Tune (da dupla inglesa Coldcut), nega: "World music é mais exótico, os sons que tocamos são mais urbanos. Eles vêm de um cenário comum: pessoas sem muito dinheiro, fazendo música em estúdios caseiros ou num laptop. É algo mais urgente".

Graças a um maior acesso à internet e à tecnologia, em todo o mundo há uma proliferação sem precedentes dos sons das periferias dos países, boa parte deles com fortes bases eletrônicas e criados em laptops ou PCs surrados, muitas vezes com softwares piratas, e divulgados via blogs, sites e sets dos DJs "globalistas".

O DJ e MC americano Wayne&Wax, que também é etnomusicólogo, batizou o movimento de "global ghettotech".

"Inventei essa frase para descrever uma estética emergente entre certos DJs e blogueiros, onde se mistura gêneros "globais" como hip hop, tecno e reggae, entre outros, com estilos 'locais'", explicou Wayne à Folha. "Mas sou contra a abordagem superficial e modista. Gosto de conhecer os contextos sociais e culturais que moldaram esse sons", esclarece.

Pioneiros

Um dos "globalistas" pioneiros é o DJ/rupture, de Boston, EUA, que primeiro chamou a atenção com uma mixtape (set mixado) chamada "Gold Teeth Thief". O set deu tanto o que falar que figurou entre os dez melhores lançamentos de 2002 da prestigiosa revista musical inglesa "The Wire".

Por meio de seu blog e programa de rádio "Mudd Up!", Rupture transmite uma mescla insana de ritmos de várias partes. Um de seus interesses especiais é a música maghrebi, do norte da África. "Estou descobrindo [também] o mundo da cumbia --existem muitas cenas fascinantes, do passado e do presente", conta o DJ.

O selo de Rupture, Soot, deve lançar em alguns meses o álbum de estréia de outro nome importante da cena "globalista": Maga Bo, um americano de Seattle que mora no Rio desde 1999. Maga Bo já trabalhou com brasileiros como BNegão, MC Catra, Marcelo Yuka, Marcelinho da Lua e Digitaldubs.

No ano que vem, ele deve começar a dar aulas sobre produção digital na sede do AfroReggae, em Parada de Lucas, no Rio. No momento, está em Addis Ababa, capital da Etiópia, gravando com músicos locais e pesquisando música etíope.

"Batidas eletrônicas são o campo onde todo mundo pode se entender. O computador, que já foi chamado do primeiro 'instrumento folk universal', está cada vez mais acessível. O volume de música que pode ser encaixada nesse 'global ghettotech' está aumentando no mundo. A morte das gravadoras tradicionais e o crescimento da distribuição de música na internet estão ajudando essa popularização", conta Maga Bo.

Já o DJ Dolores, representante brasileiro mais conhecido dessa tendência, diz que "os computadores são os tambores de hoje, um instrumento primal que cada um pode usar do seu jeito". Em 2004, Dolores ganhou o prêmio de melhor DJ na categoria "Club Global" da Radio One, da BBC inglesa. Dolores acaba de chegar de vários shows pelos EUA e México e no ano que vem deve lançar o álbum "Um Real".

Diplo é o nome mais conhecido dessa safra de DJs/produtores. Esse americano de 29 anos foi um dos principais divulgadores do funk carioca no exterior. Ex-namorado de MIA (cujo primeiro álbum ele co-produziu), Diplo tocou recentemente no Tim Festival.

Ele acredita que é importante retribuir as culturas locais. Através do projeto Heaps Decent, ele vem fazendo música com jovens aborígenes de um centro de detenção de menores da Austrália. Faixas devem sair em breve, em parceria com o selo australiano Modular.

"Já que essas subculturas, de certa forma, me ajudam a ganhar a vida, fiz algo para ajudar seu desenvolvimento", explica. "Nos próximos meses, espero fazer o mesmo na favela do Cantagalo, no Rio, com a ajuda do AfroReggae e do [antropólogo] Hermano Vianna."

Na festa de Natal da Daslu, presente é virar celebridade

Além da ceia no Buddha Bar, balada no Terraço da Daslu movimentou ceia na megabutique

Olacyr de Moraes reservou mesa, mas não estava na lista; no Buddha, quem perdesse o cartão de consumação teria de pagar R$ 6.000

PAULO SAMPAIO
DA REPORTAGEM LOCAL

O empresário Olacyr de Moraes, 76, desce de um Toyota Lexus preto à porta da Daslu e diz: "Fala com o dono dessa merda que eu estou aqui e quero entrar." É 24 de dezembro, quase meia-noite. Olacyr havia reservado mesa para a ceia do Buddha Bar, recém-inaugurado, mas seu nome não está na lista. "Quem é esse "véio'?", pergunta um segurança.
Depois de "passar um rádio" para a portaria do restaurante, o segurança libera a entrada de Olacyr, seu motorista e das três jovens que o acompanham.
Além da ceia seguida de festa no Buddha Bar, uma outra balada, no Terraço da Daslu, movimenta a noite nas dependências da megabutique multimarcas. O convite da primeira foi vendido a R$ 180 (ceia+festa), e o da outra, a R$ 150 ("primeiro lote") e R$ 300, na porta.
Convidaram-se 800 pessoas para o pós-ceia, e esperavam-se 1.500 no baladão do terraço -em caso de perda do cartão de consumação na festa do Buddha, o cliente teria de pagar R$ 6.000. A primeira é freqüentada por um "público acima dos 35", a outra, "pela garotada".
Depois de passar pelas duas barreiras de seguranças, chega-se ao Buddha Bar, cuja inspiração é a matriz francesa. Enquanto aguarda liberação para entrar, ao lado de uma vitrine da grife Louis Vuitton, a reportagem ouve barulho de tiros. Muitos. Os seguranças explicam que vêm da favela ao lado.

Só batata frita
O interior do BB é bem amplo, suavemente iluminado e com mesas ao redor de uma pista improvisada.
A chef, Bel Coelho, 28, chega para conversar. Bel é bonita, sorridente, estagiou em Londres e posou nua. Em uma mesa, estão sua mãe, Ângela, e os três irmãos. "Quando criança, a Bel não comia nada, só batata frita", conta Ângela. Carioca, ela diz que está ali para dar uma força à filha. Não costuma vir à Daslu? "Querido, eu trabalho na secretaria da Cultura, na estação da Luz, e quando saio, só vejo criança viciada em crack, cafetão, os "nóia". Você acha que eu consigo entrar na Daslu e dar R$ 5.000 por uma bolsa?"
Na mesa de Olacyr de Moraes, o clima é outro. Das três moças na faixa dos 20 que acompanham o empresário, duas se apresentam como "modelo internacional". A terceira, Priscila Cruz, 19, uma morena alta, faz faculdade de farmácia e conta que Olacyr deu dois vestidos do italiano Roberto Cavalli a cada uma delas. Dois? "Um é para o Réveillon." Diz que o dela custou R$ 20 mil.
No baladão no terraço, um espaço imenso com iluminação feérica, a pista nunca fica cheia. Repórteres entrevistam celebridades. A atriz Natália Rodrigues quer ser Bruna Surfistinha no cinema: "Se não for a escolhida, tenho laboratório para fazer qualquer prostituta".
Um quarentão de mãos dadas com uma loura, camisa social preta meio aberta, deixando a mostra a gargantilha com crucifixo. Quem é? "O cara da Caçula de Pneus."
Um produtor de TV se aproxima da reportagem e pergunta: "Qual esquema? Quanto paga pra sair [no jornal]? Tenho uma amiga bonitona, do Morumbi, mulher de status, posso colocar você em contato."
Giselle Itié aparece dentro de um vestido frente única verde água. É a mulher mais bonita da noite. Diz que passou o Natal com "os sobrinhos fofos" e "bateu aquela coisa tipo quero ser mãe". Está plenamente recuperada do acidente no programa de Faustão e já até patinou de novo, em Nova York. "Só sinto um zumbidinho no ouvido."
Rubens Aizemberg, um dos organizadores do baladão, explica que o nome da festa é "Safe Celebration": "Queremos incentivar o consumo consciente. Chamamos táxis para atender os freqüentadores da festa, para que ninguém saia dirigindo bêbado". Será que rolou?
Bem, do lado de fora, Range Roovers, Mitsubishis, Mercedes e Porsches arrancam em velocidades abusivas. "Imagina se essa playboyzada vai deixar o carro aí pra pegar táxi", ri um motorista do ponto.

domingo, dezembro 23, 2007

dicionário

filoginia

{verbete}
Datação
1873 cf. DV

Acepções
■ substantivo feminino
1 apreço pelas mulheres
2 Regionalismo: Brasil.
tese da equivalência intelectual entre homens e mulheres


Etimologia
filógino + -ia; ver 2fil(o)- e gino; f.hist. 1873 philogynia

Antônimos
misoginia

Parônimos
filogenia(s.f)

dicionário

misoginia

{verbete}
Datação
1858 cf. MS6

Acepções
■ substantivo feminino
1 ódio ou aversão às mulheres
2 aversão ao contato sexual com as mulheres


Etimologia
gr. misogunía,as 'horror, aversão às mulheres'; ver mis(o)- e gin(o)-; f.hist. 1858 misogynia

Antônimos
filoginia

dicionário

misandria

{verbete}
Acepções
■ substantivo feminino
aversão, ódio ou desprezo pelos indivíduos do sexo masculino
Obs.: p.opos. a misoginia


Etimologia
mis(o)- + -andria

dicionário

feminismo

{verbete}
Datação
1905 O Malho nº 152

Acepções
■ substantivo masculino
1 doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade
2 Derivação: por metonímia.
movimento que milita neste sentido
3 Derivação: por extensão de sentido.
teoria que sustenta a igualdade política, social e econômica de ambos os sexos
4 Derivação: por metonímia.
atividade organizada em favor dos direitos e interesses das mulheres
5 interesse do homem pela mulher; atração
6 Rubrica: medicina. Estatística: pouco usado.
presença de caracteres femininos no homem


Etimologia
fr. féminisme (1837) 'doutrina que visa à extensão dos papéis femininos'; ver femin-; f.hist. 1905 (anti-)feminismo

dicionário

machismo

{verbete}
Datação
sXX

Acepções
■ substantivo masculino
1 qualidade, ação ou modos de macho ('ser humano', 'valentão'); macheza
2 Uso: informal.
exagerado senso de orgulho masculino; virilidade agressiva; macheza
3 comportamento que tende a negar à mulher a extensão de prerrogativas ou direitos do homem
Ex.: o m. ainda tem limitado o acesso feminino ao mercado de trabalho


Etimologia
macho + -ismo; ver 1masc-

dicionário

sexismo

{verbete}
Datação
1965

Acepções
■ substantivo masculino
atitude de discriminação fundamentada no sexo
Ex.: falocracia, machismo, misandria, misoginia são modalidades de s.


Etimologia
sex(i/o)- + -ismo

Luta entre garotas e rapazes levanta questões de igualdade e decoro

Adeline Gray, uma lutadora do colégio secundário de Chatfield, a sudoeste de Denver, Colorado, está deitada de bruços e faz força para se levantar. Um rapaz de 63 quilos, exatamente o mesmo peso dela, a mantém imobilizada.

E todas as regras tradicionais sobre garotas e garotos adolescentes, como eles devem se comportar e como devem se tocar, estão suspensas.

Gray finalmente se liberta. Ela executa um golpe de tesoura e então enfia uma perna entre as dele. Ela luta para prender o braço dele em um de seus golpes favoritos, a 'asa de galinha'. Travada no combate, a dupla continua quase imóvel até que ela começa a incliná-lo, muito lentamente, e o imobiliza no chão.

A equipe dela vibra.

Ele volta para junto de sua equipe, suportando o tipo de derrota raramente vista em um esporte que não muito tempo atrás era exclusividade masculina.

No ano passado, mais de 5 mil garotas praticaram luta greco-romana em colégios em todos os EUA -contra 112 em 1990, segundo a Federação Nacional de Associações Estaduais de Colégios.

O esporte deverá crescer ainda mais depressa com a inclusão da modalidade feminina nas Olimpíadas e mais mulheres aderindo ao esporte nos campus de colégios e faculdades. A USA Wrestling (Associação Americana de Luta Greco-romana) está fazendo campanha para que a luta feminina seja sancionada como esporte da NCAA (Associação Atlética Nacional de Colégios).

Mas o esporte emergente é um gatilho para polêmica, especialmente em mais de 40 estados onde as garotas de colégios lutam nas equipes dos meninos. Os opositores da luta mista alegam motivos que vão desde o perigo de as garotas se machucarem até a ameaça de os rapazes serem humilhados. E, é claro, há a questão do contato físico.

"A maioria das pessoas simplesmente acha que as mulheres não devem lutar", diz Pat Babi, diretora feminina da USA Wrestling no Colorado. "Um dos maiores problemas é que o Colorado não tem equipes separadas para garotas que querem lutar."

Apesar do crescimento do esporte, os números em muitos estados ainda são baixos demais para justificar equipes separadas. Mas ainda assim algumas garotas estão tendo êxito nesse mundo masculino.

Em 2006, Brooke Sauer, da Golden High School, tornou-se a primeira menina na história do Colorado a se qualificar para o torneio colegial estadual de luta greco-romana. Adeline Gray, 16, espera se sair ainda melhor em fevereiro, quando o Colorado realizar seu campeonato estadual.

"É uma meta dura de alcançar", disse o pai dela, George Gray, um policial de Denver. "Acho que ela vai entrar, mas se conseguirá alcançar o objetivo de ganhar algumas lutas é difícil saber."

Gray é bastante respeitada na escola de Chatfield para ser o capitão da equipe de luta. "Ela é um bom exemplo", diz um dos treinadores, Fred Carrizales. "Esforça-se mais que os meninos e está se sobressaindo."

Quando os lutadores chegam ao ensino do segundo grau, os rapazes têm mais força que as garotas, especialmente na parte superior do corpo. Mas as meninas têm de combater mais que os músculos masculinos.

"Estamos pedindo que as pessoas modifiquem suas definições de feminilidade e masculinidade", disse Katie Downing, uma pioneira campeã do mundo de luta greco-romana feminina que está treinando para as Olimpíadas. Ela acaba de terminar sua tese de mestrado sobre o impacto das mulheres no esporte.

"A luta como foi desenvolvida tem muito a ver com masculinidade e individualidade, todas essas coisas ligadas ao sonho americano", ela disse. "Ela representa tudo o que é masculino há alguns séculos."

Patricia Miranda, a primeira norte-americana a receber uma medalha olímpica em luta greco-romana feminina quando ganhou um bronze em Atenas em 2004, lembra de um momento perturbador no início de sua carreira, depois de vencer um rapaz em sua equipe colegial na Califórnia.

"A mãe dele me confrontou quando eu estava saindo da arena", ela disse. "Ela me deu muitos argumentos de como é injusto as garotas competirem com rapazes. Ela disse que eu coloquei o filho dela numa situação impossível, em que se ele ganhasse era apenas uma garota e se ele perdesse sua vida estaria terminada".

Na época, Miranda era muito menos hábil para se defender.

"Eu deveria ter dito: as garotas não podem lutar sozinhas agora, e se elas querem ter essa experiência -que é maravilhosa para a auto-estima e a autoconfiança-, por que vocês querem barrar a metade da população? Por que a senhora, como mãe, ensina seu filho que a pior coisa é perder para uma garota?"

A maioria das meninas diz que preferiria lutar contra garotas porque os músculos e a força são mais equiparados. Mas somente quatro estados -Texas, Havaí, Washington e Oregon- têm campeonatos estaduais femininos e luta greco-romana feminina como esporte colegial.

O que significa que a maioria dos estados ainda tenta descobrir o que fazer com suas lutadoras.

Tom Beeson, membro do Hall da Fama Nacional dos Lutadores e ex-treinador em colégios do Colorado, disse que muitos meninos vêem isso como uma "situação de perder ou perder".

"Se eles derem uma surra nela, por falta de um melhor termo, é uma garota e não é tão forte, então você deveria vencê-la. Não há respeito ou honra. E se você perder você tem de ir para o basquete".

Arnold Torgerson, membro do Hall da Fama Nacional dos Lutadores, que foi treinador de luta colegial durante 35 anos no Colorado, também é contrário à luta mista.

Ele tem dois filhos e quatro filhas. "Eu sempre ensinei os meninos a respeitar as mulheres e cuidar delas", ele disse. "Agora os treinadores dizem para eles: dê uma surra nela, esfregue o nariz dela no chão. Na minha opinião isso é anti-sexista."

A sexualidade é outra preocupação.

"O colégio é uma época em que os rapazes e as garotas estão começando a sentir suas diferenças", disse Torgerson, que acredita que certos golpes são problemáticos na luta mista.

"Esse é o único esporte que é pele-a-pele. Por isso, quando a pele dos meninos encosta na pele das meninas em alguns lugares onde você agarra e segura, sem intenção, são lugares onde a garota deveria se sentir ofendida, ou ficaria se acontecesse no corredor da escola."

Gray, que luta com seu longo cabelo castanho escondido sob uma touca preta, enfrenta essa discussão o melhor que pode.

"É um esporte muito físico", ela diz. "Eu cresci lutando desde os 6 anos, por isso nunca foi estranho para mim tocar os garotos desse modo. É uma maneira muito diferente de tocar um rapaz, mas não vai ser nada sexual... Este esporte é muito mental e competitivo, e se você for com essa mentalidade vai perder."

Terry Steiner, treinadora feminina nacional da USA Wrestling, diz que qualquer um pode lutar -rapazes gordos e magros, altos e baixos-, então por que as garotas não podem?

Enquanto isso, Gray está concentrada para chegar ao campeonato estadual. "Sou uma mulher quando entro na luta", ela disse. "Mas também sou uma atleta, e é isso que eles precisam entender."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

sábado, dezembro 22, 2007

Rehab.

They tried to make me go to rehab but I said 'no, no, no'
Yes I've been black but when I come back you'll know know know
I ain't got the time and if my daddy thinks I'm fine
He's tried to make me go to rehab but I won't go go go

I'd rather be at home with Blake
I ain't got seventy days
Cause there's nothing
There's nothing you can teach me
That I can't learn from Mr Hathaway

I didn't get a lot in class
But I know it don't come in a shot glass

They tried to make me go to rehab but I said 'no, no, no'
Yes I've been black but when I come back you'll know know know
I ain't got the time and if my daddy thinks I'm fine
He's tried to make me go to rehab but I won't go go go

The man said 'why do you think you here'
I said 'I got no idea
I'm gonna, I'm gonna lose my baby
so I always keep a bottle near'
He said 'I just think your depressed,
kiss me here baby and go rest'

They tried to make me go to rehab but I said 'no, no, no'
Yes I've been black but when I come back you'll know know know
I ain't got the time and if my daddy thinks I'm fine
He's tried to make me go to rehab but I won't go go go

I don't ever wanna drink again
I just ooh I just need a friend
I'm not gonna spend ten weeks
have everyone think I'm on the mend

It's not just my pride
It's just 'til these tears have dried

They tried to make me go to rehab but I said 'no, no, no'
Yes I've been black but when I come back you'll know know know
I ain't got the time and if my daddy thinks I'm fine
He's tried to make me go to rehab but I won't go go go

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Grupo acha ancestral terrestre de baleias

Evolução teria levado pequeno mamífero herbívoro a fugir de predadores terrestres e procurar alimentos na água

Descoberta foi feita após cientista quebrar fóssil em acidente: fratura revelou semelhança de ouvido do animal com o de cetáceos



RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL


Poderia um bicho do tamanho de uma raposa e parecido com um veadinho ser um parente próximo das baleias e golfinhos? Não só pode, como é a melhor hipótese até agora para explicar a evolução dos mamíferos marinhos, segundo um estudo de cientistas dos EUA e da Índia publicado hoje na revista científica "Nature".
Para o pesquisador Hans Thewissen, das Universidades do Nordeste de Ohio, EUA, o mamífero extinto que viveu há 50 milhões de anos, conhecido pelo nome científico Indohyus, seria uma espécie de "elo perdido" na evolução dos cetáceos, mamíferos marinhos como a baleia ou o golfinho.
Apesar de esses fósseis serem conhecidos há vários anos, a nova hipótese surgiu graças a um acidente: um técnico de laboratório quebrou o crânio de um Indohyus, na altura do ouvido. Ele mostrou o dano a Thewissen, que ficou intrigado com a espessura do osso, que lembrava o das baleias. Ao reestudar o fóssil, descobriu que, além da estrutura do crânio, duas outras evidências indicavam que o animal passava boa parte do tempo na água -a espessura dos ossos das patas e sua composição físico-química.
"Os ossos são como os de animais terrestres, mas sua espessura é como a dos ossos de hipopótamos, que os ajudam a andar no fundo do rio", declarou Lisa Noelle Cooper, uma das autoras do estudo.

Água à vista
A vida no planeta surgiu no mar e depois passou à terra firme. Os mamíferos aquáticos fizeram o caminho de volta, mas o registro fóssil dessa fase de transição ainda tem falhas.
Thewissen e seus colegas descobriram várias espécies de baleias primitivas na década de 1990 e vêm estudando-as desde então. "Há 40 milhões de anos, as baleias eram semelhantes às de hoje", declarou ele em entrevista gravada e distribuída pela "Nature"; mas basta voltar outros cinco milhões de anos e os ancestrais das baleias passam a ser bem diferentes. Um capítulo antes na história da evolução, esses animais eram semelhantes a crocodilos -tinham patas e viviam em mar raso. Thewissen descobrira o fóssil de uma dessas espécies, a Ambulocetus natans, e anunciado seu achado em 1994.
Outra descoberta da equipe também não lembra nem de longe uma baleia. O Pakicetus attacki, descrito em 2001, lembra uma mistura de porco com cachorro, mas os ossos indicam o parentesco com cetáceos. O fato de ele ser semelhante a um crocodilo e se alimentar de presas capturadas em água rasa aparentemente dava apoio à teoria mais comum sobre a transição da terra para a água. Achava-se que ancestrais das baleias seriam ungulados, animais com casco nas patas.
Estudos com DNA mostraram que, dos animais vivos, os mais próximos das baleias são os hipopótamos -que infelizmente são bem mais recentes na evolução e não revelam muito sobre a transição dos cetáceos para a água.
Os fósseis do Indohyus foram achados na Caxemira, região dividida entre Índia e Paquistão. Esses animais não eram bons nadadores, e seus dentes indicam que eles passavam bom tempo na água -uma hipótese é que, apesar de herbívoros, eles nadavam para escapar de predadores. Passando tanto tempo na água começaram a se alimentar ali também.

Mudança de dieta

"Nós propomos que a mudança de dieta foi o evento que definiu a origem dos cetáceos", escreveram os autores. "Os cetáceos se originaram de um ancestral como o Indohyus e mudaram sua dieta para uma de presas aquáticas", afirmaram.
A hipótese de que o Indohyus seja o "elo perdido" na evolução de baleias e golfinhos promete gerar polêmica -algo muito comum na paleontologia, área de pesquisa em que muitos trabalhos têm de ser baseados em pouca evidências. Por exemplo, Kenneth Rose, pesquisador da Universidade Johns Hopkins, afirma que as evidências de Thewissen e colegas ainda não são conclusivas. Ele comentou também que um dos traços essenciais usados no estudo, a estrutura do osso do ouvido, é difícil de analisar e parece ser baseado em apenas um espécime.
Com Associated Press

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Garota que permaneceu seqüestrada durante 8 anos inicia carreira na televisão


Laurence Monnot
Correspondente em Viena, Áustria


Cansada de ver a imprensa entreter-se com a sua vida de vítima, Natascha Kampusch, a jovem austríaca que permaneceu seqüestrada durante oito anos, partiu para a ofensiva. Ela será a animadora de um programa televisivo que estreará a partir de fevereiro de 2008 no novo canal austríaco Puls 4.

A Puls 4, um canal regional que pertence ao grupo alemão Prosieben Sat. 1, está se preparando para lançar uma nova programação nacional em fevereiro.

A jovem mulher, que foi promovida recentemente ao status de jornalista e de animadora de programas de televisão, escolherá, ela própria, os convidados do seu programa. Estes deverão ser "personalidades excepcionais" do mundo político, artístico ou social, conhecidas ou não do público, cujas realizações deixaram a futura apresentadora impressionada. As sessões de teste já começaram.

Auxiliada pela redação da Puls 4 e pela equipe da Diamond Age, a empresa de relações públicas que a representa, Natascha Kampusch aprendeu os segredos da entrevista televisiva e então analisou as imagens junto com os seus formadores. Faltando um mês e meio apenas para a estréia, o formato do programa, que provavelmente será mensal, e papel exato da apresentadora ainda estão por serem definidos.

Em agosto de 2006, a menininha que fora seqüestrada aos 10 anos havia ressurgido na mídia, agora com a aparência de uma jovem mulher de 18 anos. O seu destino havia fascinado a opinião pública no mundo inteiro, mas ela preferiu contar o menos possível a respeito. A partir daquele momento, ela passou a dedicar uma grande parte da sua vida de mulher livre a se proteger da curiosidade dos meios de comunicação e dos fotógrafos.

Um único jornalista da televisão nacional austríaca, que foi capaz de inspirar-lhe confiança, foi autorizado a entrevistá-la, mas com a condição de que ele censurasse o seu próprio trabalho. As perguntas desagradáveis, como aquela a respeito de suas relações com o seqüestrador, não foram abordadas. Um cuidado que o jornalista explicou alegando a necessidade de proteger a vítima de um novo trauma.

Natascha Kampusch teme os meios de comunicação e não hesita a processá-los na justiça pela publicação de fotos ou de comentários não-autorizados. Ela os considera "parciais e ingênuos", mas, durante oito anos, eles foram o seu único vínculo com o mundo exterior.

"Papel ativo"
Seria possível imaginar alguma divulgação melhor para a estréia deste canal do que incluir a jovem seqüestrada na programação? Uma pesquisa de opinião que foi realizada no final do ano de 2006 na Áustria a apontava como a personalidade mais popular do país depois do presidente da República. No papel de entrevistada, a jovem mulher conseguiu impressionar o público com a sua maturidade e a sua eloqüência muda de vítima, fazendo disparar os índices de audiência do canal nacional.

"Há muito tempo que eu estou pensando em abandonar o papel passivo de objeto da curiosidade da mídia para assumir um papel ativo", disse Natascha por meio de seu porta-voz, um funcionário da agência de comunicação Diamond Age.

Christoph Feuerstein, o autor das entrevistas televisivas que foram difundidas no mundo inteiro, que até hoje mantém contato regular com ela, avalia que este grande salto é prematuro. Aos 19 anos, Natascha já recuperou o seu atraso escolar e está se preparando para obter um diploma de curso primário, mas, até hoje ela segue sendo acompanhada por psicólogos.

As desavenças dos seus pais, que se manifestam por intermédio de advogados e de notas oficiais, não poupam nem a própria filha. Ela mesma deverá comparecer a uma audiência na primavera de 2008, devido a um processo que opõe a sua mãe a um antigo juiz que está convencido da cumplicidade desta última no seu seqüestro.

Tradução: Jean-Yves de Neufville
Visite o site do Le Monde

Amar e ser amado

Definir o amor tem sido assunto reservado aos poetas. Mas a neurociência, quem diria, já pode dar os seus pitacos -ao menos para explicar por que amar e ser amado são desejos tão fortes e presentes em nossa espécie. Considerados inviáveis dez anos atrás, dada a subjetividade do assunto, exames do cérebro de voluntários que contemplam imagens da pessoa amada ou a abraçam são hoje em dia bem aceitos pela ciência. Esses estudos mostram de que é feita a experiência do amor pelo cérebro. A presença do ser amado ativa o sistema de recompensa, trazendo sensações de prazer, felicidade e bem-estar como um todo, que, de quebra, nos ensinam a associar a tais sensações positivas o objeto de nosso amor e nos fazem querer continuar em sua presença e até ansiar por ela. Essa ânsia é especialmente intensa quando o amor é reforçado por sexo -o bom sexo, voluntário e prazeroso, que, com o orgasmo, leva à liberação de hormônios como a ocitocina, que ativam ainda mais o sistema de recompensa.
Se o amor é correspondido, a presença da pessoa amada é também calmante. Mesmo longe de levar ao orgasmo, um abraço já aumenta a liberação de ocitocina, que, além de estimular o sistema de recompensa, reduz a atividade das estruturas do cérebro responsáveis pelo medo e facilita a aproximação.
Abraços amorosos nos deixam menos temerosos e desconfiados e, por conseguinte, mais confiantes no outro, otimistas e dispostos a abaixar a guarda. Sentir-se amado é um grande ansiolítico. Quem de fato recebe a atenção e os cuidados do objeto do seu amor não se sente sozinho e tende a ter respostas mais saudáveis ao estresse, inclusive com a produção de quantidades menores do hormônio cortisol -aquele responsável pelos estragos do estresse crônico. Receber um abraço dessa pessoa já basta também para diminuir instantaneamente o nível de cortisol no sangue.
Até o sexo é ansiolítico, por levar, com o orgasmo, à liberação de prolactina -uma grande responsável pela sensação de bem-estar e relaxamento físico e mental que se seguem. Dar apoio moral é uma grande demonstração de amor, crucial para manter saudável a resposta ao estresse de quem o recebe. Mas dar carinho a quem se ama é a mais inequívoca demonstração de amor, tão importante que conta com um sistema de nervos específico para detectá-la. Por isso, não basta amar; é preciso fazer o outro se sentir amado.
Um feliz Natal para você, leitor, repleto de abraços das pessoas que você ama!
SUZANA HERCULANO-HOUZEL, Neurocientista, professora da UFRJ, autora do livro "Fique de bem com o seu cérebro" (Editora Sextante) e do site O Cérebro Nosso de Cada Dia (www.cerebronosso.bio.br)

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Golfinhos podem ter linguagem própria, diz estudo

Reuters

Os assovios e trinados emitidos por golfinhos "podem ser chamados de linguagem", de acordo com um estudo da universidade de Southern Cross, em Linsmore, na Austrália.

A pesquisa, publicada na última edição da revista New Scientist, foi coordenada por Liz Hawkins, do Centro de Pesquisas sobre Baleias da instituição, e identificou quase 200 sons diferentes.

"Essa comunicação é altamente complexa e é contextual, ou seja, de certa forma poderia ser descrita como linguagem", disse Hawkins, que passou três anos ouvindo "conversas" de golfinhos da costa oeste australiana.

Já se sabia que golfinhos utilizam assovios "personalizados" para se apresentar uns aos outros, mas o significado dos outros sons que eles emitem era desconhecido.

Ao todo, Hawkins gravou 1.647 sons de 51 diferentes grupos que habitam a região da Baía de Byron, no Estado de Nova Gales do Sul.

Contexto

Do total, identificou 186 assovios diferentes, dos quais 20 eram os mais comuns. Hawkins então separou os sons em cinco grupos tonais e descobriu que cada um deles era associado a comportamentos diferentes.

Quando o grupo passeava, 57% dos sons analisados apresentaram forma sinoidal, isto é, com subidas e descidas simétricas.

Já quando os animais descansavam ou se alimentavam, este tipo de assovios era menos comum.
Quando os golfinhos se divertiam, os sons usados eram quase sempre ascendentes ou em tons sustentados.
Liz Hawkins percebeu que um destes sons de "diversão" era sempre repetido quando os golfinhos "surfavam" as ondas do barco da cientista.



Um outro som que parece ter um significado concreto foi identificado pela pesquisadora quando um golfinho se encontrava separado do grupo.

"Este assovio poderia definitivamente significar: 'Estou aqui, onde está todo mundo?'", disse Hawkins.
Para outra pesquisadora da linguagem dos golfinhos, Melinda Rekdahl, da Universidade de Queensland, em Brisbane, ainda é cedo para saber se assovios têm assovios específicos.

Rekdahl descobriu que os golfinhos em cativeiro emitem mais sons ao se alimentar que os livres.
A estudiosa diz ser possível que estes sons signifiquem expressões como: "rápido" ou "aqui tem comida".

Macacos resos, como os humanos, são capazes de fazer soma mental

Estudo comparou animais com estudantes dos EUA; taxa de acerto foi igual

DA REDAÇÃO

Depois de um grupo de chimpanzés ter dado um banho em universitários num teste de memória numérica, como mostraram cientistas japoneses no começo do mês, pesquisadores americanos anunciaram na segunda-feira que macacos resos, mais distantes dos humanos na linha evolutiva, não deixam a desejar. Na comparação com estudantes de faculdade, os animais se mostraram capazes de fazer adições mentais tão bem quanto os humanos.
Estudos anteriores já haviam mostrado que vários animais são capazes de reconhecer quantidades, mas até então não havia evidência de que eles tivessem habilidades matemáticas, como a de somar, explica Jessica Cantlon, neurocientista da Universidade Duke e co-autora da nova pesquisa.
No trabalho, dois macacos, Boxer e Feinstein, foram comparados com 14 universitários da Duke. A tarefa consistia em mentalizar dois conjuntos de pontos que eram rapidamente apresentados em uma tela de computador. A imagem então mudava e apareciam duas caixas contendo uma quantidade X de pontos. Os macacos tinham de escolher a que apresentava a soma correta.
Os humanos não podiam contar verbalmente enquanto viam os pontos e deviam dizer quantos havia na tela o mais rápido possível. Tanto macacos quanto humanos responderam em média dentro de um segundo. E ambos tiveram a mesma taxa de acerto. O estudo está na revista aberta "PLoS Biology" (www.plosbiology.org).

sábado, dezembro 15, 2007

Dados põem sob suspeita anúncio de "dia sem homicídios"

Dados de dois distritos policiais da capital indicam que pode ter havido precipitação da Secretaria de Segurança Pública ao anunciar que no dia 7, pela primeira vez em 12 anos, São Paulo não teve homicídios nem registro de assassinatos. Testemunhas ouvidas pela reportagem afirmaram acreditar que um assassinato registrado no dia 8 na zona leste aconteceu na véspera - hipótese admitida pela polícia. Se considerados apenas os registros em DPs, houve um caso de homicídio comunicado no dia 7, ainda que referente a uma morte ocorrida na véspera.

No dia 8, à 1h14, o corpo de um homem branco não identificado, aparentando 35 anos, foi encontrado pela PM morto com ferimento à bala em Itaquera. Estava ao lado de uma caçamba na Rua Toledo Castelanos, reduto de casas de classe média alta no bairro. O rapaz chegou morto ao Hospital Santa Marcelina. Vizinhos afirmaram ao Estado que não houve briga ou tiros na rua e o corpo foi deixado no local mais cedo.

Um morador disse que o corpo deve ter sido jogado entre 23h40 - horário em que sua filha chegou e não notou nada de diferente - e 0h30, quando o filho o avistou na rua. Segundo os próprios policiais do 53º DP (Parque do Carmo), o rapaz pode ter sido morto ainda no dia 7.

Já o 26º DP, do Sacomã, na zona sul, registrou no dia 7 o homicídio do auxiliar administrativo Adriano da Silva Pereira. O corpo do rapaz, de 21 anos, foi encontrado com um tiro na têmpora às 20h15 do dia 6.

O cientista político Guaracy Mingardi, coordenador do Setor de Análise de Informações Criminais do Ministério Público Estadual, criticou o anúncio do governo. "Passa a falsa sensação de que as coisas estão indo bem." O número de assassinatos caiu drasticamente na última década, mas ainda está dentro de faixa considerada epidêmica, 11,6 casos por 100 mil habitantes, segundo o governo. "Ninguém contesta os avanços", diz o cientista político Paulo Mesquita, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo. "O problema está em celebrar um fato isolado como se fosse importante."

Fabiane Leite e Bruno Tavares

sexta-feira, dezembro 14, 2007

sei lá.

Andy, cujas medidas são 101, 56 e 86 cm, tem o que muitos homens querem em uma mulher: "Paciência ilimitada". Ao menos é isso que promete a fabricante, First Androids, baseada em Neumarkt, perto de Nuremberg, no sul da Alemanha. Andy também vem com opcionais, inclusive um "sistema de felação, com níveis ajustáveis", um "pulso tangível", "moção do quadril em rotação" e um "sistema de aquecimento com controles ajustáveis" para aumentar a temperatura do corpo.

"Exceto pelos pés -que continuam frios, como na vida real", diz David Levy. O interesse do cientista britânico em Andy é puramente acadêmico, insiste. Para Levy, sua boneca sexual de alta tecnologia é um arauto de uma nova ordem mundial.

Levy é especialista em inteligência artificial. Ele é fascinado pela idéia de "amor e sexo com robôs", e suas visões de futuro incluem robôs masculinos e femininos como amantes e parceiros. Campeão de xadrez e presidente da Associação Internacional de Jogos de Computador, Levy, 62, acaba de publicar um livro, "Love and Sex with Robots: The Evolution of Human-Robot Relationships" (amor e sexo com robôs: a evolução dos relacionamentos entre humanos e robôs) -que é provocativo no verdadeiro sentido da palavra. Ele está convencido que os seres humanos farão sexo com robôs um dia. Eles vão nos mostrar práticas sexuais que nem imaginávamos existir. Vamos amá-los e respeitá-los e confiaremos a eles nossos mais íntimos segredos. Tudo isso, diz Levy, será realidade em 40 anos.



"O próprio conceito de parceiro artificial, marido, mulher, amigo ou amante desafia a noção de relacionamento da maior parte das pessoas no início do século 21,", diz Levy. "Mas minha tese é a seguinte: os robôs serão enormemente atraentes para os humanos como companheiros, por causa de seus muitos talentos, sentidos e capacidades." Com o rápido desenvolvimento da tecnologia, Levy acredita que é apenas uma questão de tempo antes das máquinas poderem oferecer traços humanos. De acordo com Levy, "amor e sexo com robôs em grande escala são inevitáveis".

A idéia de amor envolvendo andróides não é exatamente nova. Na mitologia grega, o escultor Pygmalino faz uma estátua de marfim de sua mulher ideal. Ele reza para a deusa do amor Afrodite para trazer vida à estátua, que ele chamou de Galatea. Afrodite concorda em ajudá-lo e, quando Pygmalion beija Galatea, ela devolve o beijo e os dois se casam.

A mesma coisa pode logo estar acontecendo com robôs. Levy já vê sinais de 'robofilia' nascente em toda parte. De acordo com Levy, o apelo do cão robô da Sony, Aibo, e de Furby, brinquedo que parece uma bola de pelo com apêndices e um circuito de computador interno, mostram o potencial da tecnologia de servir como espelho das emoções humanas. "Hoje em dia, é relativamente comum as pessoas desenvolverem fortes ligações emocionais com seus bichos de estimação virtuais, inclusive robóticos", diz Levy. "Então, por que se surpreender quando as pessoas formarem apegos igualmente fortes com pessoas virtuais, com robôs?"

Mesmo os computadores simples exercem uma atração quase mágica para algumas pessoas. A dedicatória do livro de Levy diz: "Para Anthony, estudante do MIT que tentou ter namoradas, mas descobriu que preferia relacionamentos com computadores. E para todos os outros 'Anthonys' do passado, presente e futuro, dos dois sexos." O que os viciados em computador dirão quando puderem brincar com computadores que se movem, falam e parecem ser pessoas e possivelmente até com emoções?

No que diz respeito ao sexo, os robôs podem em breve suplantar a experiência original de carne e osso, diz Levy. O pesquisador mergulhou fundo na história da máquina erótica para documentar a suscetibilidade do Homo sapiens aos brinquedos sexuais mecânicos. Ele descobriu evidências de vibradores movidos por mecanismos de relógio ou a vapor. Levy descreve uma máquina de masturbação para mulheres movida a pedal, desenhada em 1926 por engenheiros na cidade alemã de Leipzig. Em uma antologia pornográfica do século 17 do Japão, o autor leu sobre um "travesseiro de viagem libidinoso". A vulva artificial, chamada de "azumagata" (mulher substituta) em japonês, era feita de casco de tartaruga e tinha um buraco forrado de cetim.

Em suas viagens pelo globo, os marinheiros holandeses compartilhavam suas camas com bonecas de couro costuradas a mão, o que explica porque os japoneses hoje se referem às bonecas sexuais como "esposas holandesas" -apesar da versão atual não ser mais de couro. A empresa japonesa Orient Industry vende bonecas femininas que são réplicas quase perfeitas de jovens japonesas -desde a ponta do cabelo até a consistência da pele. O sucesso da empresa baseia-se em um modelo anterior chamado de "Antarctica", uma boneca que os cientistas costumavam levar para a estação de pesquisa do Japão Showa, para aquecerem-se durante o longo inverno antártico.

A empresa americana RealDoll, líder do mercado em bonecas sexuais, vende os modelos "Leah" e "Stephanie" por US$ 6.500 (cerca de R$ 12.000) cada. Os clientes podem encomendar as bonecas com busto de tamanho 30AA até 34F. Cada boneca vem com três "portais de prazer". Outro modelo, "Charlie", vem até com um pênis de vários tamanhos, assim como "entrada anal" opcional.

Serão simples brinquedos eróticos para uma rapidinha ocasional? De forma alguma, diz Hideo Tsuchiya, presidente da Orient Industry. "Uma esposa holandesa não é meramente uma boneca ou um objeto", insiste. "Ela pode ser uma amante insubstituível, que fornece uma sensação de cura emocional."

Levy tem opinião similar. Mas será que os robôs vão se parecer tanto com os humanos nas próximas décadas que serão equivalentes ou até melhores que os amantes humanos?

Imitar a aparência humana parece ser o menor dos desafios. Há dois anos, o especialista japonês Hiroshi Ishiguro revelou seu robô "Repliee Q1". O estranho nome engana. A criação de Ishiguro pode facilmente se passar como a primeira mulher robótica da história. Graças a 42 ativadores movidos por ar comprimido, ela pode "virar e reagir de forma parecida com os humanos", diz Levy. "Repliee Q1 pode piscar, parece respirar, move as mãos como uma pessoa e responde ao toque", diz entusiasmado.

Muito mais difícil que os traços externos, entretanto, será o desafio de criar algo parecido com uma alma. Os maiores obstáculos são alguns dos comportamentos mais fundamentais do homem. Os sensores robóticos atuais, por exemplo, não são capazes de distinguir de forma confiável entre as pessoas, diz Levy. Ele admite que, se um robô não conseguir reconhecer seu parceiro, ou o confundir com outra pessoa, o relacionamento será facilmente arruinado.

Ainda assim, Levy prevê que os avanços virão rapidamente. Para Levy, imbuir robôs com traços tão humanos quanto empatia, humor, compreensão e amor é meramente uma questão de tecnologia. A empatia, por exemplo, é "uma questão essencialmente de aprendizado", diz ele e portanto "relativamente fácil de instalar em robôs". Só o que a máquina precisa fazer é observar seu parceiro, fazer deduções inteligentes sobre os pensamentos do parceiro e reagir de acordo.

Levy vê um futuro no qual a inteligência artificial permitirá aos robôs se comportarem como se tivessem atravessado todo o espectro da experiência humana, sem de fato ser o caso. Ele cita as emoções como exemplo. "Se um robô se comporta como se estivesse sentimentos, podemos razoavelmente argumentar que não tem? Se as emoções artificiais de um robô o levam a dizer coisas como 'eu te amo', certamente devemos estar dispostos a aceitar essas declarações, desde que os outros comportamentos do robô as corroborem."

Levy vê vantagens em companheiros artificiais sobre parceiros humanos. A infidelidade, as mudanças de humor, o mau gosto, a falta de higiene, a obsessão com futebol - todas essas dificuldades de relacionamento seriam jogadas no lixo da história. Os parceiros robóticos seriam até imortais. Levy imagina que o usuário poderá arquivar toda a personalidade de seus andróides em discos rígidos. Se um robô for destruído, será fácil encomendar um novo.

E o sexo! Sempre disposto, nunca desapontado, adeus dores de cabeça -e com as fantasias mais sujas disponíveis para download. Um robô poderia ser programado para oferecer "posições e técnicas sexuais de todo o mundo" ou colocado em "modo de ensino para um aprendiz sexual", diz Levy. Tudo, desde as dimensões da vagina e do pênis, cheiro do corpo até a barba, pode ter opções disponíveis.

"Imagine um mundo no qual os robôs são (quase) como nós", diz Levy. "O efeito na sociedade será enorme". Ele também aborda as questões potenciais éticas e morais após a grande invasão robótica. Será antiético emprestar robôs sexuais aos amigos, por exemplo, ou "usar o robô sexual de um amigo sem contar para ele"? Será permitido enganar andróides? O que os maridos farão quando as mulheres disserem: "Esta noite não, amor, vou fazer com o robô?"

Levy está convencido que as mulheres, em particular, após as dúvidas iniciais, vão apreciar os robôs como alternativa para seus maridos suados. O fato de seu apetite sexual freqüentemente ir além do desempenho medíocre de muitos homens reflete-se nas "incríveis vendas" de vibradores, diz Levy.

E os homens? Bem, quanto a eles, todo esse barulho sobre inteligência artificial é energia desperdiçada. Eles estão dispostos a "fazerem sexo com bonecas infláveis", diz Henrik Christensen, coordenador da Rede de Pesquisa de Robótica Européia. Será fácil fazer algo melhor. "Qualquer coisa que se mova será uma melhora."

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Brasil lidera pesquisa de preocupação com concentração na mídia

Pesquisa avaliou opinião de mais de 11 mil pessoas em 14 países
Os brasileiros se mostram os mais preocupados com a concentração dos meios de comunicação nas mãos de um "pequeno número de grandes empresas do setor privado", revelou uma pesquisa de opinião sobre liberdade de imprensa feita em 14 países.

A sondagem – encomendada pelo Serviço Mundial da BBC e feita pelas empresas de pesquisa GlobeScan e Synovate – avaliou a opinião de 11.344 pessoas por meio de um questionário. Segundo o levantamento, 80% dos brasileiros se mostram preocupados com a propriedade das companhias de mídia e acreditam que esse controle pode levar à “exposição das visões políticas” de seus donos no noticiário.

Entrevistados de outros países também compartilham da mesma opinião, como no México (76%), nos Estados Unidos (74%) e na Grã-Bretanha (71%).


A sondagem mostrou, no entanto, que ao mesmo tempo em que são os mais preocupados com o controle e a concentração privada na mídia, os brasileiros também fazem a pior avaliação sobre o desempenho dos meios de comunicação financiados pelo governo.

Nessa parte do questionário foi considerada a opinião das pessoas em relação à “honestidade” e à “precisão” com que os órgãos de comunicação, públicos e privados, tratam a notícia.

De acordo com o estudo, 43% dos entrevistados acreditam que a cobertura do noticiário pelos órgãos públicos brasileiros é “pobre”; 32%, mediana; e 25% dizem que ela é “boa”.

Em contrapartida, os brasileiros tiveram uma opinião mais positiva quando foram indagados sobre o desempenho das empresas privadas: 37% acreditam que elas fazem um “bom” trabalho, 38% afirmam que ela é mediana e 25% dizem que sua atuação é “pobre”.

Voz

Os brasileiros também se mostraram os mais interessados em participar do processo de decisão sobre o que é noticiado: 74% dos entrevistados disseram que gostariam de “ser ouvidos” na escolha das notícias. Nessa pergunta, em seguida vieram os mexicanos, com 63%. Os russos, com 29%, foram os entrevistados que se mostraram menos interessados em influenciar na escolha do que é noticiado.

A pesquisa ainda avaliou que os brasileiros parecem “divididos” sobre a questão da liberdade de imprensa e estabilidade social.

Enquanto 52% opinaram que a liberdade para informar os fatos de forma honesta e verdadeira é importante para garantir uma “sociedade justa” – mesmo que isto implique em “debates desagradáveis ou efervescências sociais” –, outros 48% acreditam que “a harmonia e a paz social são mais importantes” e, portanto, o eventual controle do que é noticiado seria aceitável para o “bem comum”.

Curiosamente, avalia o relatório, a Venezuela foi um dos países cuja população mais priorizou a liberdade de imprensa em detrimento da estabilidade social (64%).

Entre todos os pesquisados, os americanos (70%), britânicos (67%) e alemães (67%) foram os que mais opinaram a favor da liberdade de imprensa como instrumento para garantir uma sociedade justa.

A pesquisa ouviu os entrevistados entre os dias 1º de outubro e 21 de novembro. A Oceania foi o único continente não incluído no levantamento. Na América Latina, o estudo foi realizado no Brasil, México e Venezuela.

O trabalho foi divulgado como parte das comemorações do 75º aniversário do Serviço Mundial da BBC.

domingo, dezembro 09, 2007

SP tem primeiro dia sem homicídio, anuncia governo.

Da redação
Em São Paulo

Em sete de dezembro de 2007, ou seja, a sexta-feira passada, a cidade de São Paulo passou o dia inteiro sem registrar um único homicídio em seus 93 distritos policiais -- um fato inédito nas estatísticas criminais. Foi o que anunciou neste sábado (8) o secretário estadual de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, durante o evento Faça Esporte na PM.

"Não houve nenhum homicídio da 0h do dia 7 até as 24h do dia 7", afirmou ele. Segundo o secretário, desde 1999, ano em que 12.800 pessoas foram mortas em todo o Estado, o número de homicídios registrados caiu 63%. Na capital, a queda atingiu 72% no mesmo período.

Marzagão disse ainda que neste ano a queda foi acentuada, o que o levou a anunciar uma meta mais ousada para 2008. "Neste momento, são 11,6 homicídios por 100 mil habitantes. Se Deus quiser, chegaremos no ano que vem a 10 por 100 mil, que é uma marca aceita pela ONU (Organização das Nações Unidas)".

Para atingir a meta de 2008, Marzagão defendeu a manutenção de ações como a Operação Homicídio, da Polícia Militar, que consiste em fazer revistas em bares nos finais de semana. "São locais onde pessoas bebem e, muitas vezes, acabam ocorrendo homicídios por motivos fúteis. Também devemos investir muito na inclusão social. Faremos tudo que pudermos para a inclusão, porque acreditamos que o problema da violência não se resumirá só com as ações da polícia", afirmou.

Entre os motivos da redução dos homicídios, Marzagão citou o recolhimento das armas ilegais, mesmo antes do Estatuto do Desarmamento, e policiamento com base no Infocrim -- sistema de mapeamento criminal que permite conhecer pela Internet os lugares em que os crimes acontecem.